Não se engane; o desenvolvimento não é um presente!
Talvez a palavra mais apropriada para se definir o desenvolvimento seja “consequência”, mas assim como tudo na vida, as consequências são tanto positivas quanto negativas. Há de se compreender que independente do esforço e da dedicação, o desenvolvimento surge na exata medida em que somos capazes de ponderar a respeito das consequências que nos surgem. Ou seja, o desenvolvimento precisa ser percebido. Nosso cérebro precisa de provas de que aprendemos algo para liberar em nossas ações os efeitos do conteúdo que foi absorvido. Entender que as consequências, independente da polaridade, são fundamentais é, talvez, a parte mais difícil. Trata-se de um profundo exercício de fudoshin; precisamos nos libertar do julgamento antecipado e experimentar as novas informações como se todas fossem importantes, bom ou ruim, certo ou errado, positivo ou negativo, são meros apontamentos que de um jeito ou de outro irão nos dizer a verdade.
É muito comum que nos apeguemos às consequências negativas com maior intensidade do que para com as positivas. Parece contraditório, já que são as coisas boas que de fato buscamos, mas quase sempre somos vítimas de uma insegurança característica de quem está em um caminho de aprendizado, pois durante o processo é mais fácil sentir o feedback dolorido e prematuro e em virtude dessa insegurança deixamos de considerar com clareza os efeitos e os resultados que nos afetam. Infelizmente, somos filhos de uma sociedade que sente certa satisfação em comparar as desgraças da vida como se ao fazer isso e ainda continuar vivendo, nos tornássemos guerreiros cheios de perseverança. Esse é um reflexo comportamental antigo, mas que ainda é de grande influência na forma como somos criados. Mas se olharmos mais atentamente veremos que apesar dos inúmeros contratempos e adversidades, nós temos na verdade muita sorte. Pense na quantidade de ameaças que sofremos todos os dias. Ainda que sejamos extremamente evoluídos e complexos, basta um simples mosquito para nos tocar o terror.
Enfim...
Todo desenvolvimento trás consigo uma carga extremamente valiosa, mas igualmente pesada. E isso se deve ao fato de que se desenvolver significa transcender aos padrões habituais aos quais nos acostumamos. O desenvolvimento funciona em nós como uma corda que nos arrasta para distante de onde estávamos, mas esse arrastar não está livre da influência da gravidade que deseja nos manter onde estamos. E não, não é a gravidade terrestre que leva todo objeto ao solo, mas sim a gravidade atrativa da zona de conforto que nos acaricia gentilmente quando nos sentimos satisfeitos com o que temos. No entanto, mais uma vez não se engane, satisfação é contentamento e contentamento é entrega. Ou seja, quando estamos satisfeitos, estamos sujeitos às limitações do que temos e tudo que nos limita não é bom.
A zona de conforto nos impede de sermos algo mais, pois nos faz aceitar o suficiente como se fosse o bastante, mas não é, pois se somos capazes de classificar como “suficiente” é por sabermos que existe mais, do contrário classificaríamos como “absoluto” .
Enquanto a zona de conforto nos faz aceitar, o desenvolvimento nos convida ao desafio. Ao sairmos de uma posição confortável, somos obrigados a nos adaptar e através dos exercícios adequados para tal adaptação, descobrimos novos caminhos para nos elevar e sermos melhores.
Então não espere só alegrias. Não deseje apenas satisfação. Tenha em mente que vai ser cansativo, vai doer, vai ser confuso, vai ser desafiador e vai te levar ao extremo, mas isso é bom!
Não adianta nada gerar tanta resistência criando inúmeros motivos patéticos apenas para se livrar de um objetivo que exige de você um pouco mais de empenho do que você está realmente disposto a oferecer. Ficar lamentando que dói não faz a dor passar.
Você sabe disso, nós todos já sabemos disso. Nós todos sabemos que as maiores e melhores lições da vida sempre veem acompanhadas de algum tipo de “sofrimento” e isso também é um reflexo da forma como somos criados. Somos a única espécie desse planeta que recebe cuidados paternos pela vida inteira. É tanto cuidado que ficamos mal acostumados; a vida não é um parquinho e um joelho ralado não é a maior dor que iremos sentir. Toda essa proteção, todo esse interesse externo em nos manter bem, faz de nós seres precavidos demais. Estamos sempre ponderando sobre as repercussões de tudo, sempre com medo de que algo dê errado e se alguma coisa nos assusta ou nos frustra, ficamos cheios de medo e receio. Um tipo de medo que desencadeia em nosso cérebro uma série de medidas para evitar que aquilo aconteça novamente. São esses medos que nos fazem ir atrás de desenvolvimento, pois consideramos que sofremos por falta de respaldo, mas uma vez com medo, o cérebro não vai acreditar que o que você aprendeu é suficiente para te proteger e vai continuar te impedindo de fazer o que ele considera ruim para você mesmo que tenha que te encher de ansiedade só para te fazer voltar para casa e se esconder no seu quarto. Não importa o quanto você se prepare, nem o quanto você vislumbre experiências em busca de possíveis falhas, somente a ação vai te dizer o que realmente pode acontecer. Na imaginação não existe diferença entre realidade e ilusão, no mundo real existe. Ou seja, somente a prática é real.
Pense em algo que você gosta muito de comer. Tente imaginar todos os processos que foram necessários antes que o seu paladar fosse agraciado com o sabor que você adora. É simples ir ao mercado ou a padaria e comprar, mas diferente de um produto de consumo, o desenvolvimento depende de você para realizar todos os processos até provar os resultados. Nesse meio tempo, algumas coisas serão trabalhosas e se nesses momentos você vacilar, sentir dúvidas, desânimo, preguiça... O resultado irá se afastar. Tudo é assim, ou você compra experiências prontas e as usa como um parasita preguiçoso, ou você corre atrás e aproveita algo seu que te faz crescer. Mas é preciso ir até o fim mesmo que o caminho seja difícil e cansativo.
A vida está difícil, você está enfrentando problemas, passando por dificuldades, está cansado, estressado, carente, impaciente...? Esquente o sangue e continue. Encare a coisa de frente, suje as mãos, transpire, deixe o corpo latejar de dor. Por que se você deitar no sofá e esperar que saiam benefícios da TV ou que o céu se abra sobre sua cabeça te enchendo de milagres, tudo o que vai receber é peso extra.
Você até pode ficar mais forte carregando algodão, mas vai ter de ser algodão pra caramba.
Se afaste desse medo que te paralisa só para te deixar confortável. Medo de ser melhor é uma permissão para ser pior.
Crianças podem sentir medo de um degrau mais alto, adultos não.
Quer ser mais? Seja mais!
Ganbatte kudasai
Talvez a palavra mais apropriada para se definir o desenvolvimento seja “consequência”, mas assim como tudo na vida, as consequências são tanto positivas quanto negativas. Há de se compreender que independente do esforço e da dedicação, o desenvolvimento surge na exata medida em que somos capazes de ponderar a respeito das consequências que nos surgem. Ou seja, o desenvolvimento precisa ser percebido. Nosso cérebro precisa de provas de que aprendemos algo para liberar em nossas ações os efeitos do conteúdo que foi absorvido. Entender que as consequências, independente da polaridade, são fundamentais é, talvez, a parte mais difícil. Trata-se de um profundo exercício de fudoshin; precisamos nos libertar do julgamento antecipado e experimentar as novas informações como se todas fossem importantes, bom ou ruim, certo ou errado, positivo ou negativo, são meros apontamentos que de um jeito ou de outro irão nos dizer a verdade.
É muito comum que nos apeguemos às consequências negativas com maior intensidade do que para com as positivas. Parece contraditório, já que são as coisas boas que de fato buscamos, mas quase sempre somos vítimas de uma insegurança característica de quem está em um caminho de aprendizado, pois durante o processo é mais fácil sentir o feedback dolorido e prematuro e em virtude dessa insegurança deixamos de considerar com clareza os efeitos e os resultados que nos afetam. Infelizmente, somos filhos de uma sociedade que sente certa satisfação em comparar as desgraças da vida como se ao fazer isso e ainda continuar vivendo, nos tornássemos guerreiros cheios de perseverança. Esse é um reflexo comportamental antigo, mas que ainda é de grande influência na forma como somos criados. Mas se olharmos mais atentamente veremos que apesar dos inúmeros contratempos e adversidades, nós temos na verdade muita sorte. Pense na quantidade de ameaças que sofremos todos os dias. Ainda que sejamos extremamente evoluídos e complexos, basta um simples mosquito para nos tocar o terror.
Enfim...
Todo desenvolvimento trás consigo uma carga extremamente valiosa, mas igualmente pesada. E isso se deve ao fato de que se desenvolver significa transcender aos padrões habituais aos quais nos acostumamos. O desenvolvimento funciona em nós como uma corda que nos arrasta para distante de onde estávamos, mas esse arrastar não está livre da influência da gravidade que deseja nos manter onde estamos. E não, não é a gravidade terrestre que leva todo objeto ao solo, mas sim a gravidade atrativa da zona de conforto que nos acaricia gentilmente quando nos sentimos satisfeitos com o que temos. No entanto, mais uma vez não se engane, satisfação é contentamento e contentamento é entrega. Ou seja, quando estamos satisfeitos, estamos sujeitos às limitações do que temos e tudo que nos limita não é bom.
A zona de conforto nos impede de sermos algo mais, pois nos faz aceitar o suficiente como se fosse o bastante, mas não é, pois se somos capazes de classificar como “suficiente” é por sabermos que existe mais, do contrário classificaríamos como “absoluto” .
Enquanto a zona de conforto nos faz aceitar, o desenvolvimento nos convida ao desafio. Ao sairmos de uma posição confortável, somos obrigados a nos adaptar e através dos exercícios adequados para tal adaptação, descobrimos novos caminhos para nos elevar e sermos melhores.
Então não espere só alegrias. Não deseje apenas satisfação. Tenha em mente que vai ser cansativo, vai doer, vai ser confuso, vai ser desafiador e vai te levar ao extremo, mas isso é bom!
Não adianta nada gerar tanta resistência criando inúmeros motivos patéticos apenas para se livrar de um objetivo que exige de você um pouco mais de empenho do que você está realmente disposto a oferecer. Ficar lamentando que dói não faz a dor passar.
Você sabe disso, nós todos já sabemos disso. Nós todos sabemos que as maiores e melhores lições da vida sempre veem acompanhadas de algum tipo de “sofrimento” e isso também é um reflexo da forma como somos criados. Somos a única espécie desse planeta que recebe cuidados paternos pela vida inteira. É tanto cuidado que ficamos mal acostumados; a vida não é um parquinho e um joelho ralado não é a maior dor que iremos sentir. Toda essa proteção, todo esse interesse externo em nos manter bem, faz de nós seres precavidos demais. Estamos sempre ponderando sobre as repercussões de tudo, sempre com medo de que algo dê errado e se alguma coisa nos assusta ou nos frustra, ficamos cheios de medo e receio. Um tipo de medo que desencadeia em nosso cérebro uma série de medidas para evitar que aquilo aconteça novamente. São esses medos que nos fazem ir atrás de desenvolvimento, pois consideramos que sofremos por falta de respaldo, mas uma vez com medo, o cérebro não vai acreditar que o que você aprendeu é suficiente para te proteger e vai continuar te impedindo de fazer o que ele considera ruim para você mesmo que tenha que te encher de ansiedade só para te fazer voltar para casa e se esconder no seu quarto. Não importa o quanto você se prepare, nem o quanto você vislumbre experiências em busca de possíveis falhas, somente a ação vai te dizer o que realmente pode acontecer. Na imaginação não existe diferença entre realidade e ilusão, no mundo real existe. Ou seja, somente a prática é real.
Pense em algo que você gosta muito de comer. Tente imaginar todos os processos que foram necessários antes que o seu paladar fosse agraciado com o sabor que você adora. É simples ir ao mercado ou a padaria e comprar, mas diferente de um produto de consumo, o desenvolvimento depende de você para realizar todos os processos até provar os resultados. Nesse meio tempo, algumas coisas serão trabalhosas e se nesses momentos você vacilar, sentir dúvidas, desânimo, preguiça... O resultado irá se afastar. Tudo é assim, ou você compra experiências prontas e as usa como um parasita preguiçoso, ou você corre atrás e aproveita algo seu que te faz crescer. Mas é preciso ir até o fim mesmo que o caminho seja difícil e cansativo.
A vida está difícil, você está enfrentando problemas, passando por dificuldades, está cansado, estressado, carente, impaciente...? Esquente o sangue e continue. Encare a coisa de frente, suje as mãos, transpire, deixe o corpo latejar de dor. Por que se você deitar no sofá e esperar que saiam benefícios da TV ou que o céu se abra sobre sua cabeça te enchendo de milagres, tudo o que vai receber é peso extra.
Você até pode ficar mais forte carregando algodão, mas vai ter de ser algodão pra caramba.
Se afaste desse medo que te paralisa só para te deixar confortável. Medo de ser melhor é uma permissão para ser pior.
Crianças podem sentir medo de um degrau mais alto, adultos não.
Quer ser mais? Seja mais!
Ganbatte kudasai

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